Como educadores, lancemos boas sementes...

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Gêmeos na mesma sala: sim ou não?


Gêmeos na mesma sala: Sim ou não?

Por Priscila Pereira Boy

Irmãos gêmeos têm uma ligação muito forte e passam muito tempo juntos. 

Os gêmeos são muitas vezes visualizados como uma unidade, e não como seres individuais, cada um com sua personalidade e características. 

Desde pequenos eles dividem atenção, tempo e espaço de todos. É necessário dar a eles oportunidade de ser “eu” e não “nós”, desenvolvendo sua identidade de forma independente.

No período de adaptação, principalmente no primeiro ano em que acontece a separação, pode ser um pouco difícil, pois afinal, estão juntos desde a concepção! Para amenizar, nada como muita conversa e a boa e velha parceria entre escola e família.

Há uma linha de pensamento que defende a ideia de que os gêmeos devem ficar juntos, por causa da alta afinidade e do relacionamento e laço afetivo que eles têm entre si. Esta quebra de laço, de instabilidade emocional poderia afetar a aprendizagem deles.

Para comprovar ou refutar estas considerações, pesquisadores holandeses de uma universidade de Amsterdã revelaram, que separar gêmeos na escola não interfere no aprendizado. 

Durante o estudo, eles acompanharam 2.003 pares de gêmeos nascidos entre 1986 e 1993 até eles completarem 12 anos. O grupo era formado por 839 gêmeos idênticos e 1.164 não idênticos. Até os 12 anos, 72% deles estudaram na mesma turma, 19% em turmas separadas e 9% estudaram juntos em algum momento da vida escolar. Ao completarem 12 anos, todos eles foram submetidos a um teste de nivelamento para medir conhecimentos, que incluíram, entre outras disciplinas, gramática e matemática. 

Na análise dos resultados, os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença substancial entre os três grupos de irmãos e, então, concluindo que separá-los durante a vida escolar não interfere no aprendizado.

Já na dimensão sócio afetiva há muitos ganhos na separação dos gêmeos. Eles precisam, como qualquer outra criança de estabelecer suas próprias relações, de construir sua identidade e de fazer o seu próprio ciclo de amigos. Enfrentar os desafios sozinho e se posicionar frente a eles é o primeiro passo para o desenvolvimento da autonomia do indivíduo.

Ainda há o aspecto da privacidade. Irmãos na mesma sala costuma monitorar o comportamento do outro, contar as situações em casa, muitas vezes causando desconfortos entre eles. E há também as comparações, as cobranças entre si, que podem gerar supremacia de um deles em relação ao outro.

Com certeza há muitos ganhos na separação dos gêmeos, porém a escola deve ficar atenta sempre. Alguns podem se angustiar com a separação. O importante é fazer uma parceria com a família, de forma que todos passem aos irmãos a ideia de que a decisão da separação trará ganhos e será divertido ter novos amigos para apresentar um ao outro. A segurança dos pais é fundamental para a aceitação e o sucesso da enturmação das crianças.


Filhos precisam crescer e devemos contribuir para que este processo se desenvolva da melhor forma possível. Estimular a construção da identidade individual ajudará os filhos a fortalecerem sua auto imagem e auto estima, que será fundamental para o seu sucesso futuro.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Lidando com as vaidades

Nos últimos tempos tem me chamado muito a atenção como a vaidade está crescendo entre as pessoas. 

Não me refiro somente à vaidade física, ao culto ao corpo e à busca pela eterna juventude e beleza. Esta também está exagerada, mas me incomoda menos do que outras facetas dela. 

Vaidade académica, profissional, espiritual...


Eu chamo este fenómeno de "egolatria", que é o culto a si mesmo.

Lidar com pessoas vaidosas requer muita paciência e atenção, porque a pessoa  vaidosa não consegue pensar de forma sistémica. 

Ela é capaz de abortar um projeto só porque o seu nome não vai aparecer ou ficar em evidência.
É desconfiada, sempre pensa que as pessoas estão conspirando contra ela. 
Boicota seu trabalho, suas ideias, porque seu objetivo é ser o centro das atenções. O ego dela é bem inflado e se ocupa de ocupar o espaço de todo mundo. 
Adora depreciar as coisas e opiniões das pessoas e o pior: necessita ter sempre razão. Se você ousa contestá-la, ela vai arrumar alguma coisa, algum artigo, algum documento ou vai se remeter à fala de alguém para refutar a posição alheia. 

Humildade não existe no dicionário do vaidoso. Ele sabe tudo, ele domina todos os conteúdos, ele é a solução. E nunca compartilha nada com ninguém. E ainda tem uma forte tendência a se apropriar da suas ideias como se fossem dele. Pessoas vaidosas costumam ser toxicas.

Liderar e conviver com este tipo de pessoa requer muita habilidade, paciência, sabedoria e amor, porque o vaidoso costuma ter qualidades e não podemos perdê-las. Mas, é necessário fazer um trabalho com eles, deixá-los sem holofotes em alguns momentos, porque luzes fazem com que ele s ganhem força e cresçam cada dia mais pra cima das pessoas.

O grande desafio na convivência com os vaidosos é não entrar em competição com eles. E evitar bajulá-los, como eles gostam. Tratar os vaidosos como uma pessoa comum é a melhor forma de ajudá-los. Marcar seu território, delimitando bem os papéis também é uma boa estratégia.

Ressalte suas qualidades, mas faça-o conscientizar-se de seus limites. 
Enfim, pessoas vaidosas nada mais são do que seres carentes e inseguros que querem receber reconhecimento e amor. Tarefa difícil, mas não impossivel.

E, se você conseguir “salvar” o vaidoso de sua condição de soberba, não vá se achar o máximo e se  envaidecer você também...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

É legal ser invisível?

Por Priscila Pereira Boy- Mestre em Educação, Pedagoga.

Ouvindo uma adolescente me contar o que mais a encantou na saga “ Harry Potter", minha imaginação começou a divagar. Ela me disse que gostaria muito de ter a tal capa dele, que o tornava invisível.

Fiquei imaginado a tal sensação. Poder presenciar coisas sem ser percebido. Poder transitar sem que ninguém perceba a sua presença...

Outra invisibilidade que me encanta é a das amizades que vão se constituindo no mundo virtual. Tenho seguidores aqui que não tenho a mínima idéia de quem seja. Mas gostam de mim e do meu trabalho. Sem contar os amigos das redes sociais.

Aspectos positivos da invisibilidade.
Mas, a invisibilidade tem lá seus aspectos negativos. Sentir-se invisível sem querer ser invisível. Ser desconsiderado. Não ter voz.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”.

Ele garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, explica o pesquisador. O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

“Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. As vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão”, diz.
 “Essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa”

 Desde então, minha vontade de ser invisível não existe mais. 

Você enxerga as pessoas no seu dia a dia? Pode ser alguém que trabalha no seu prédio, um frentista de posto, uma atendente de loja, um aluno na escola, um pai, mãe, servente.
Cumprimente. Valorize. Não faça das pessoas seres invisíveis

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O racismo existe ou é invenção?

Sinto-me especialmente incomodada com algumas situações que presencio. 

São amigas que se referem às suas empregadas como seres menores, são colegas acadêmicos que se referem a alunos ou a outras pessoas como menos capazes, são pessoas que comparam a situação socioeconômica das outras, julgando se teriam ou não condições de fazer alguma viagem, comprar em determinada loja, comer em algum restaurante e por aí vai.

Sem contar as referências aos negros, aos homossexuais, às loiras...

E não posso deixar de citar as pessoas com necessidades especiais. Com essas fazemos pior: como não é socialmente aceitável rejeitá-las, travestimo-nos de piedade e misericórdia e damos a elas um tratamento aparentemente inclusivo.

Eu não posso dizer que as pessoas que se portam dessa forma o fazem de maneira proposital. O fato é que, no cotidiano, usamos palavras ou expressões que, de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam em si o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado. Não se muda algo que simplesmente não existe.

A tolerância das diferenças resume um princípio de igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser sustentável. O preconceito velado é perigoso, porque, em pequenas doses, mantém os paradigmas inalterados e aumenta a distância entre os cidadãos. Revela a inabilidade das pessoas para ver algo novo e agir de forma diferente.

Eu me sinto mal com comentários que diminuem ou segregam o outro. Isso me conforta porque sinaliza que a chama da ética e do respeito ainda ardem em meu coração.
Como educadora e cristã, não posso perder a capacidade de me indignar, e é por isso mesmo que estou indignada com algo que vi na internet: um anúncio de emprego que nos lembra os tristes tempos da escravidão. É desanimador perceber como o racismo à brasileira é algo tão real e duradouro. Trata-se da foto de um cartaz, no qual estava escrito:

“Precisa-se de pessoa branca, profissional, boa aparência, com ferramentas, que saiba tudo de obras: bombeiro hidráulico, eletricista, pedreiro, ladrilheiro, servente que saiba emassar. Se você tem todos esses requisitos, é só entrar em contato direto com Russo, pelo telefone 7550-71XX. SÓ BRANCOS”.

Segundo o Jornal do Brasil a pessoa identificada apenas como “Russo”, ainda sem saber da repercussão do seu anúncio, esclareceu, para alguns que telefonaram para saber da vaga, que “se for um mulato bem clarinho, pode”. Quando questionado sobre a razão da negativa para negros, “Russo” justificava que era um pedido dos condomínios para os quais os trabalhadores seriam mandados.
É assustador que algum empresário nesse país tenha a coragem de expressar tal discriminação quando temos uma lei que prevê o racismo como crime inafiançável.

Qual o papel da escola?

A escola tem um papel fundamental na mudança de paradigmas e na construção da autoestima das pessoas. Entenda-se por autoestima o sentimento e a opinião que cada pessoa tem de si mesma. É na infância, no contato com o outro, que construímos ou não a nossa autoconfiança.

As experiências do racismo e da discriminação racial determinam significativamente a autoestima dos adultos negros. Então, o caminho para a construção de uma autoimagem positiva está calcado em uma sociedade mais justa e igualitária, no reconhecimento e nos valores de cada indivíduo como um ser essencial.

Um caminho para atenuar o preconceito e, com o tempo, exterminar, é trabalhar nas escolas a Lei nº 10.639, na qual somos orientados a incluir as temáticas da Cultura Afro-brasileira nos currículos nacionais de educação. Não se ama aquilo que não se conhece. O currículo escolar deve considerar a identidade dos afrodescendentes, considerar a imensa influência que a cultura africana sempre exerceu sobre o modo de ser do povo brasileiro e de todo o mundo.

Na sua sala de aula, explore a influência dos artistas negros nas artes, na música, na literatura. Faça exposições, problematize reflexões.
Você se emocionará e se surpreenderá com tudo que vai descobrir e ainda constatar que o saber não tem cor e a alma também não