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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A intolerância é a mãe da violência

Por Priscila Pereira Boy- Pedagoga- Mestre me Educação

Não há como não falar do ataque em Paris que aconteceu esta semana. Aos que não acompanharam na mídia, vai uma sucinta contextualização. Supostos “terroristas” atacaram a sede do jornal parisiense Charles Hebdo. Ao todo forma 12 mortos e 11 feridos. 
Dentre os falecidos está o famoso cartunista Geoge Wolinskyi. O motivo do ataque foi uma charge criada por ele sobre Maomé.

O mundo está completamente chocado com tamanha violência. Todo mundo achando um absurdo o que aconteceu. O fato é que o cerne da questão está centrado na intolerância.

As pessoas estão assim: basta alguém discordar delas, seja por posicionamento religioso, político, ideológico, teológico, acadêmico e por aí vai, que elas partem logo para agressão. Agridem fisicamente, verbalmente, por e-mail, pelas redes sociais. Muitos dos que estão condenando as atitudes dos responsáveis pelo atentado, são tão intolerantes quanto eles. 
Frente às diferenças humanas, desferem golpes de crítica, de deboche, ironia. Ataques pessoais dos mais estarrecedores.

Outro dia mataram um homossexual. Ele foi perseguido na rua, correu quilômetros, foi acuado por dois rapazes e espancado até a morte. Mas claro, ela era gay, então mereceu morrer.
Um pastor foi ridicularizado e xingado de todos os nomes porque se posicionou contra a união homoafetiva. Eles o chamaram até de monstro. Porque ele externou sua forma de pensar à luz da fé que professa. Mas quem mandou dizer no que crê? Mereceu a represália.

Um bispo católico foi alvo de ataques inflamados por parte de um grupo de feministas ao dizer que a igreja nunca vai apoiar a legalização do aborto. Ele alega que a vida é dom de Deus e que só Ele pode tirá-la. Mas porque ele foi querer opinar acerca dos direitos da mulher sobre o próprio corpo? Isso é da conta de cada uma, não da igreja. Mereceu também as ofensas que sofreu.

E nem precioso falar muito sobre as baixarias que vivenciamos no período eleitoral. As ofensas, as brigas, as discussões. Algo que me assustou sobremaneira, pois a democracia é uma conquista de muita luta para se perder assim em debates de baixo nível como os que presenciamos em horários eleitorais e nas redes sociais.
Percebam que toda ofensa, violência, nasce de algo que foi gerado anteriormente: a intolerância.

Não sabemos conviver com a diversidade de ideias, de opiniões, de crenças, valores, princípios. Condenamos os atos terroristas, mas fazemos as mesmas represarias aos outros, atacamos sua maneira de pensar, de agir, de ver o mundo e a vida, sua cosmovisão.
Atos assim me remetem aos tempos das cruzadas, da santa inquisição, da ditadura e de tantas outras épocas, onde era proibido ser e pensar diferente. Parece que a gente demora tanto para aprender!

Queremos convencer os outros a pensar e agir como nós. Queremos uma sociedade única e indivisível, mas o mundo contemporâneo está cheio de “tribos”. É preciso aprender a gerenciar a pluralidade. Se não soubermos lidar com a diversidade, os choques e horrores serão inevitáveis.

No século XXI é permitido discordar. É permitido não se amoldar. É permitido pensar. É permitido se expressar. É permitido escolher.

Que suas atitudes não sejam as geradoras da violência contemporânea. Que você seja um instrumento de paz e harmonia entre as pessoas que te cercam.