Como educadores, lancemos boas sementes...

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Idade Media ou idade mídia? Sobre o uso da tecnologia em ambientes educacionais

Compartilho com vocês um artigo que escrevi e que foi publicado esta semana na Revista do SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo). O tema:
"Idade média ou idade mídia? Sobre o uso da tecnologia em ambientes educacionais".

Idade média ou idade mídia? Sobre o uso da tecnologia em ambientes educacionais

Por Priscila Pereira Boy- Pedagoga, Mestre em Educação, MBA executivo Internacional em Marketing. Atualmente é Consultora Educacional, escritora e palestrante.

Marcado por mudanças significativas, o século XXI coloca a escola diante de um grande desafio: repensar a sua forma de ensinar. Estamos vivendo em um mundo globalizado, de afirmação das diferenças e mudança de paradigma. O avanço da tecnologia impactou totalmente as relações sociais, a forma de agir, pensar e de se comunicar e por isso nos impõe novas formas de agir.

Lidar com novas possibilidades requer ousadia e humildade.
Ousadia para quebrar modelos antigos, desconstruir práticas já consolidadas e lidar como o inesperado.

Humildade para reconhecer que o que sabemos sobre tecnologia pode ser insuficiente para superar os saberes dos alunos e por isso, temos que nos abrir para aprender com eles.

Os alunos: Os nativos digitais

Estamos diante da geração que nasceu com a existência da tecnologia e por isso não enfrentam barreiras frente a ela. São os chamados “nativos digitais”. Esta geração já nasceu conectada e tem um relacionamento íntimo com o universo digital. É muito bem informada e há necessidade de nos prepararmos para dialogar com ela.

De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil, crianças de seis anos já estão criando suas primeiras contas online. Mais de 80% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos usam internet. Entre os 9 e os 17 anos, 90% possuem ao menos um perfil em rede social. Podemos constatar uma verdade: cada vez mais cedo a internet faz parte da vida dos nossos alunos. E de forma intensa.

Um outro levantamento, este feito pela Amdocs Brasil, perguntou a adolescentes brasileiros se eles gostariam de ter um dispositivo com acesso à internet acoplado ao corpo. 88% deles responderam que sim.

É fato que a era digital mudou a forma de agir, de se relacionar e também de aprender. Estamos diante de uma sociedade marcadamente virtual e compartilhada. O limite entre o real e o imaginário fica à mercê da indústria que determina um comportamento segmentado e unilateral.

A escola precisa se valer deste novo recurso e ensinar os alunos a lidar com esta ferramenta tão poderosa.

Novas tecnologias possibilitam novas metodologias

Faz-se necessário repensar os modelos tradicionais de ensino para reflexões acerca do exercício da cidadania digital: novos valores, novas posturas e novas metodologias.

Nessa perspectiva, a inclusão de recursos digitais na escola possibilita a comunicação entre alunos e professores, potencializa o interesse e motiva os alunos para a aprendizagem. A proposta favorece uma educação baseada na aprendizagem significativa, isto é, uma educação em que os alunos constroem significados atribuindo sentido àquilo que aprendem e aplicam esse conhecimento no cotidiano.

Desta forma o ensino passa a ter o foco na aprendizagem, com ênfase na formação de competências múltiplas, no empreendedorismo, na solução de problemas, no trabalho em equipe de modo colaborativo.

Rompem-se as barreiras físicas e fomentam-se os ambientes colaborativos virtuais. E há ainda a possibilidade da interação com outras culturas, porque o mundo virtual não tem fronteiras.

Possibilidades de uso das redes sociais e dos ambientes virtuais

São muitas as alternativas de trabalho com a tecnologia.  Podemos usar uma multiplicidade de recursos e atuar de forma interdisciplinar. Abaixo sinalizamos algumas possibilidades a serem adotadas no cotidiano.

Sabemos que toda informação, para fazer parte de estudos acadêmicos e ampliar o conhecimento das pessoas, deve ter credibilidade e veracidade. Muitas são as fontes que o meio virtual oferece, mas nem todas são confiáveis. Uma estratégia eficiente pode ser orientar os alunos a procurar por especialistas que tenham perfil na rede e que possam ajuda-los a tirar algumas dúvidas ou fornecer entrevistas e informações confiáveis. 

Abandone a Wikipédia como fonte, pois Wikis são construídos de forma colaborativa, sem aferição de veracidade e já foram identificadas muitas incongruências e inverdades nesta fonte de consulta.

Outra proposta interessante é orientar os alunos a entrar em contato com parentes distantes para fazer pesquisas genealógicas ou com personalidades locais para discutir matérias tratadas em sala de aula.

A criação de clubes do livro online pode também aguçar o gosto pela leitura. Troca de livros, postagem de sinopses, blogs com indicações de obras e críticas temáticas também podem trazer bons resultados.
Para o ensino de novos idiomas, a rede oferece múltiplas possibilidades. Conecte seus alunos com pessoas de todo mundo. Se você é professor de inglês ou espanhol e possui amigos do exterior que falam essas línguas, organize bate papos para que os estudantes possam praticar os idiomas.

Para aqueles alunos que não gostam muito de falar ou de expor suas opiniões em público, você pode organizar atividades de participação online onde eles poderão participar escrevendo sua opinião ou conhecimentos, o que ajudará você na hora de avaliar a participação deles.

Outra novidade que está sendo muito utilizada é a Gamificação (ou, em inglês, gamification) que é hoje uma das apostas da educação no século XXI. O termo complicado significa simplesmente usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo. A gamificação torna as aulas mais atraentes e dialoga melhor com o universo dos alunos. Pode-se oferecer prêmios para mudança de fases, criar avatares e cenários, distribuir pontos e lançar desafios.

Na educação, o potencial da gamificação é imenso: ela funciona para despertar interesse, aumentar a participação, desenvolver criatividade e autonomia, promover diálogo e resolver situações-problema.

Sabemos da importância do ensino presencial e de algumas habilidades que este ambiente proporcionará aos alunos. Por isso mesmo propomos um ensino híbrido, onde se pratique tanto o ensino no ambiente virtual quanto no ambiente presencial.

Novas metodologias pedem novos modelos de avaliação

A avaliação escolar sempre foi um desafio. Muitos educadores ainda veem a avaliação como final da etapa de ensino, mas, na verdade, a avaliação é um processo e não um momento estanque em si mesmo.

E ainda, instrumentos de avaliação não são necessariamente avaliação. É preciso avaliar sempre, acompanhar, monitorar, mas o que realmente vai garantir a aprendizagem são as intervenções que fazemos frente ao desempenho do aluno. A avaliação serve para retroalimentar o planejamento. Ao avaliar, temos a clareza daquilo que foi aprendido pelo aluno e daquilo que ainda precisa ser consolidado.

Diante das novas TIC`S, faz-se necessário incorporar avaliações que dialoguem com o ambiente virtual. Ambientes colaborativos virtuais de aprendizagem, avaliações online, apresentações em vídeo, podcasts e muitas outras possibilidades.

Uma coisa importante a ser observada é a necessidade de avaliar também individualmente o aluno, pois precisamos garantir que as habilidades mínimas exigidas foram alcançadas.

A formação continuada dos educadores

Se o educador desenvolve bem o seu papel de mediador do conhecimento possibilitando essas oportunidades de interlocução com as mídias, os alunos irão naturalmente desenvolver habilidades e competências de criatividade e inovação com o uso de dispositivos móveis. Cabe ao educador incentivá-los quanto ao uso, como uma ferramenta de aprendizagem.

Projetos desenvolvidos por meio de blogs, aulas interativas, explicação de fenômenos científicos usando animação em stop-motion, criação de entrevistas, programas de rádio, uso de portais e outras mídias alternativas incentivam a maior participação dos alunos nas atividades escolares e proporcionam benefícios na aprendizagem. Usar dispositivos móveis, como tablets, celulares e notebooks também constituem em boas estratégias de diversificação das metodologias de ensino.

Há vários recursos de aprendizagem que o professor pode desenvolver.
Porém, vale aqui um alerta importante: De nada adianta tecnologias novas se as práticas continuam velhas. 

Vejo muitos professores valendo-se das mídias e recursos digitais, mas com postura de aula tradicional. Os arquivos funcionam apenas como PDF, ou seja, é como se digitalizássemos os livros e, ao invés de papel, usássemos a lousa digital ou os dispositivos móveis.

O professor só dará conta desta nova forma de ensinar se for oferecido a ele formação continuada. Ele precisa apropriar-se desta nova experiência, mesmo porque ele não é um nativo digital. Muitos deles não se sentem seguros e nem confortáveis diante do uso da tecnologia. Se não houver investimento na formação deles, estaremos colocando em cheque todo o processo.

Criando regras para o convívio digital

Com o uso contínuo das redes virtuais, corre-se o risco de transigir algumas regras de boa convivência que não podemos deixar de salientar. Como estamos propondo que a escola seja incentivadora do uso da tecnologia, precisamos ser participantes também no trabalho de educação para a cidadania e boa convivência.

É necessário informar e educar os alunos sobre regras de convivência no meio virtual. Cuidados com a segurança também devem ser dialogados para evitar assédios, abusos, oferta de pornografia ou vicio nela, aliciamentos para o tráfico, para o terrorismo etc.

Muitas pessoas usam as redes sociais para descarregar, atenuar suas frustações ou aplacar seus medos na vida real. Diante do anonimato, as pessoas se trasvestem de “avatares” virtuais e atacam os outros, falam coisas que jamais falariam na vida real. Estas ofensas constantes são chamadas de cyberbulling.

Há práticas, das mais bizarras e inimagináveis possíveis: usar fotos de pessoas mortas para perfis falsos, ataque a imagem e índole de pessoas que já morreram, compartilhamento de fotos comprometedoras e íntimas na rede pública, disseminação de boatos e fofocas sobre colegas de escola, ataque indiscriminado à opinião das pessoas, apelidos e muitas outras coisas.

O fato é que a rede social tem seus benefícios, como a capilaridade, ou seja, seu alcance, mas pode ser uma verdadeira arma de humilhação, difamação da reputação e da imagem das pessoas, quando mal utilizada. É preciso dialogar com os alunos sobre isto e principalmente: é preciso envolver a família neste processo.

Promovendo a interação com a família

A criação de regras para um convívio digital é necessária e saudável. Sabe-se que o uso incondicional e sem limites em qualquer situação pode ser desastroso. Esta função extrapola os limites da escola. É fundamental envolver as famílias neste processo.
Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdier, a socialização primária vem da família. 

Entende-se por socialização primária o espaço onde a criança aprende e interioriza a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que se pertence. Ela tem um valor primordial para o indivíduo e deixa marcas muito profundas em toda a sua vida, já que é aí que se constrói o primeiro mundo dele.

Compartilhe com as famílias as iniciativas, Projetos e informações sobre o uso da tecnologia e das redes sociais, reforçando ainda mais a relação e responsabilidade delas com a educação dos filhos.

Barreiras a serem vencidas

A iniciativa de usar recursos dos meios digitais na educação também tem seus entraves. Um deles é a dificuldade que o professor tem, tanto em sua atualização quanto na disponibilidade de tempo para interagir com estas novas mídias.

Atenta a isto, as escolas devem formatar programas de formação continuada para os professores e gestores e também dialogar com alunos e pais sobre essa novidade.

São muitas as possibilidades, mas temos que superar as barreiras.

O mais difícil é abrir a mente para novos rumos, desconstruir práticas e abrir mão de convicções. Isso sim é a maior barreira para a mudança na Educação.

Bibliografia
BOY, Priscila Pereira. Inquietações e desafios da escola. WAK editora,2010
Machado, Nilson José.  Epistemologia e Didática: as concepções de conhecimento e inteligência e a prática docente. São Paulo: Cortez, 1995.
Perrenoud, Philippe.  Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens - entre duas lógicas.  Porto Alegre: Artmed, 1999.

Sacristán, J. G. e Pérez Gómez, A. I.  Compreender o ensino..

sábado, 24 de setembro de 2016

A Base Nacional Comum a todos: o medo

O anúncio das mudanças do formato do Ensino Médio causou grande celeuma na semana passada. 

Jornais, revistas, redes sociais e todas as mídias se voltaram para esta temática.

Educadores tentando compreender tudo e calculando o impacto que elas trarão para suas práticas cotidianas.
Gestores, especialistas, pais e alunos, todos querendo compreender o fenômeno e saber o que de fato vai afetar suas vidas e sua prestação de serviço.

Em síntese, a proposta está pautada em uma Base Nacional Comum, ou seja, disciplinas obrigatórias e outra parte de livre escolha dos estudantes.

Toda esta movimentação, me fez refletir: o novo assusta. Desconstruir as bases, rever paradigmas, pensar na possibilidade de tatear no escuro, causa sentimentos diferenciados nas pessoas. Mas, todos eles escondem “uma base nacional comum”: o medo.

O fantasma do medo assola todas as pessoas.  Medos diferenciados é bem verdade, mas presentes em todos nós.

Para os profissionais da educação, ou o setor que está envolvido com ela, os medos são mais concretos. Em primeira linha está o medo de perder o posto de trabalho, associado à demora para encontrar outro caminho. E a temida sensação de que os rendimentos familiares, raros, não chegarão ao final do mês, ou de que não se saiba onde buscar o alimento para o dia seguinte.

Aos que ocupam uma posição de liderança e são mais abastados, que tem investimentos, são donos de escola, sistemas de ensino, editoras e empresas fornecedoras e afins, prevalece o medo diante do humor sempre instável e imprevisível do mercado. Medo de perder o negócio, os privilégios conquistados, a riqueza, a renda, enfim, de perder a posição social e a consolidação diante do mercado educacional.

Espremida entre os educadores e os investidores, os alunos e as famílias também tem seus medos, porque, por natureza, morrem de vontade de subir na vida por meio da educação e, simultaneamente, morrem de medo de que a qualidade e as oportunidades venham a cair.

Outros medos ocultos e invisíveis povoam o coração, a mente e a alma do ser humano cotidianamente:
Medo da solidão e da multidão; medo da dor e da doença, particularmente aquela que nos deixa, em tudo e para tudo, dependentes de outrem; medo de perder o calor, conforto e refúgio do lar, da separação dos entes queridos, da velhice inexorável, do convívio permanente com o fantasma da morte; medo do amanhã, do erro quanto à escolha nas relações pessoais, familiares e comunitárias, bem como quanto à opção profissional; medo da sensação de vazio, de falta de sentido e de inutilidade da própria existência; medo de avião, de elevador e de altura; fobias...

E há um medo bem característico da sociedade moderna ou pós-moderna, contemporânea e extremamente competitiva. Trata-se do medo de ficar para trás.

Disputa frenética pelos objetos da última temporada, pelos aparelhos da tecnologia de ponta, pelo carro do ano, o celular do momento, a roupa e o calçado da moda... Medo de perder a corrida para o vizinho ao lado, o parente esnobe ou o companheiro de trabalho. Medo de se tornar antiquado, tradicional, ultrapassado; do correr dos anos que faz ganhar peso, perder cabelo e criar rugas. Medo de não aparecer como o primeiro no bairro, na família e entre os amigos.

Medo do Ranking do ENEM. E da perda de alunos.

Isso mesmo, sai de cena a famosa frase da tragédia de Shakespeare, em Hamlet, “ser ou não ser, eis a questão”. Aqui o importante não é ser, mas pura e simplesmente aparecer. Como nos sinaliza o francês Guy Debord em seu livro “ A sociedade do espetáculo”:

TUDO O QUE É BONITO APARECE. TUDO O QUE APARECE É BONITO.

Quantos medos moram no íntimo do coração humano, povoam sua mente, e lhe atormentam a alma?! Quantos medos sobrecarregam os ombros de todo ser humano?
Medos resistentes como ervas daninhas, difíceis, quase impossíveis de exorcizar!

Como uma pessoa de bases cristãs que sou, penso que talvez nos falte um dos ingredientes que, desde os primórdios da história da humanidade, contribuíram decisivamente para o crescimento desta civilização. Refiro-me à tradição judaico-cristã, tão fortemente enraizada nos países e culturas ocidentais. Sim, talvez estejamos carentes da utopia da Terra Prometida ou da Boa Nova do Evangelho, o Reino de Deus, com seu horizonte escatológico.

Efetivamente, a vida, ação, obras e palavras de figuras como Jesus, Moisés e Paulo (para citar apenas esses testemunhos) nos asseguram que as pessoas movidas pela fé, esperança e caridade são capazes de exorcizar o fantasma do medo em suas mais diversas máscaras e ameaças. E temos outras figuras históricas, que nos ensinam com sua garra e determinação a enfrentar os medos frente a um ideal: Mandela, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá.

Para não ficar só em exemplos da esfera da fé e contemplar também os céticos com histórias de esperança, temos o grupo Alpargatas (das sandálias havaianas) que se deparou com os novos entrantes e mudanças e resolveu se reinventar e dar a volta por cima.

Contrariamente, a Kodak, que detinha grande parte da fatia do mercado da fotografia no mundo, se recusou a dialogar com as novas tendências do mercado e foi engolida pelo Instagram, para onde migraram os amantes da fotografia.

Só existe uma forma de vencer o medo: é encarnado o medo de frente!

Ao nos darmos conta de que toda novidade traz consigo uma grande oportunidade, nossos medos se transformam em esperanças

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Palestra no Congresso Internacional de Neurociências e Aprendizagem

Participei  do Brain Connection: Congresso Internacional de Neurociências e aprendizagem, que aconteceu no Teatro Francisco Nunes.

Partilhas, saberes, reflexões. 

Momento também de rever amigos queridos! 


Minha palestra foi sobre:

“ Como lidar com a diversidade na sala de aula.”

Falamos sobre o conceito de diversidade no sec XXI a luz das leis vigentes e destacamos especialmente a LDB e o estatuo das pessoas com deficiência e suas implicações no ambiente escolar.


A proposta foi compartilhar ações exitosas em torno do trabalho com a  diversidade. Um momento muito rico de troca de experiências. Muito honrada com o convite.


Orgulho de fazer parte deste time!

Agraciada com o prêmio da União europeia " Erasmus mais"

Recebi junto com alguns outros educadores, um prêmio de uma fundação ligada à união europeia. O Prêmio Eramus mais é um prêmio concedido anualmente pela Praemium Erasmianum a indivíduos ou instituições que realizaram contribuições notáveis à cultura, educação, sociedade ou ciências sociais.

Os meus trabalhos foram enviados pela Dra Angela Mathilde, curadora do Congresso Internacional de Neurociências e Aprendizagem, do qual fui palestrante.

Ela enviou meus Projetos de consultoria as escolas, meu canal no youtube para destacar a relevância do trabalho junto as famílias, e meus livros educacionais.
Fiquei muito feliz e honrada com esta premiação. 

Porque , afinal de contas,


EU ACREDITO NA EDUCAÇÃO!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Consultoria em Itaocara, no Colegio SEI

Hoje pela manhã foi dia de fazer a consultoria pedagógica no SEI, em Itaocara- RJ.

Uma escola que nasce quando uma das três sócias, com quem estou na foto, recebe a noticia de que está gravida aos 46 anos!

A chegada desta criança faz com que ela volte de novo o seu olhar para as escolas infantis, e, percebendo que na cidade não havia uma escola de qualidade para atender seu filho, chama outras amigas, que eram referência em Educação na cidade e abre esta escola, que se mantem de pé há 21 anos!


Uma linda história de amor materno e de amor a educação.


No SEI a qualidade e a excelência são premissas básicas. Há alunos do SEI na USP, alunos com nota 1000 na redação do ENEM, enfim, a alta performance tem sido uma busca constante.


Eles escolheram o Bernoulli para ser o parceiro deles nesta trajetória de sucesso . É uma alegria ajudar a construir esta bonita história.


Nosso trabalho hoje, em um primeiro momento, foi focado na gestão. Depois conversamos com os professores sobre a proposta Bernoulli e oferecemos algumas estratégias de trabalho.


O mais encantador foram os dois momentos com os alunos. Primeiro com alunos do 8 e 9° anos, depois com os alunos do ensino médio.


Dilalogamos sobre o percurso do estudante em uma trajetória de sucesso e falamos um pouco das contribuições da neurociência que sinalizam a importância do momento de estudo.


Delicioso ver a carinha deles, ávidos pelas informações.


Fui muito bem acolhida nesta escola, onde os laços afetivos com a Instituição são visíveis.

Parabéns pelo trabalho desenvolvido. Espero voltar em breve!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Consultoria na Fundação São José, em Itaperuna- RJ


Hoje foi dia de fazer a formação dos professores da Fundação São José, em Itaperuna. A escola está há 51 anos na cidade!!! Na foto ao lado estou com a diretora Rosemeri e a supervisora Viviane.

A busca pelo material Bernoulli reflete o desejo da escola de desevolver um trabalho voltado para alta performance do aluno.

Hoje conversamos sobre estratégias que os professores podem usar para dialogar com os alunos do Sec XXI, que vivem conectados.

As sugestões que levei e que ocuparam a pauta da formação foram:


  • trabalhar com ambientes colaborativos de aprendizagem, 
  • utilizar as mídia digitais, 
  • propor atividades diversificadas e 
  • usar a metodologia da sala de aula invertida.


Detalhamos cada uma destas proposições e levamos exemplos práticos de como fazer.

Grupo participativo, acolhedor , que me deixou muito a vontade para partilhar as ideias propostas.

A intenção é aumentar o número de alunos e também a performance deles a cada ano.

Como consultora desta escola, saio agradecida e realizada.

A escola me recebeu de braços abertos, prepararam um delicioso lanche pra me receber e as avaliações foram muito positivas, nos sinalizando que nossos objetivos foram alcançados. 

Agradeço, de coração, a possibilidade de interação.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Gêmeos na mesma sala: sim ou não?


Gêmeos na mesma sala: Sim ou não?

Por Priscila Pereira Boy

Irmãos gêmeos têm uma ligação muito forte e passam muito tempo juntos. 

Os gêmeos são muitas vezes visualizados como uma unidade, e não como seres individuais, cada um com sua personalidade e características. 

Desde pequenos eles dividem atenção, tempo e espaço de todos. É necessário dar a eles oportunidade de ser “eu” e não “nós”, desenvolvendo sua identidade de forma independente.

No período de adaptação, principalmente no primeiro ano em que acontece a separação, pode ser um pouco difícil, pois afinal, estão juntos desde a concepção! Para amenizar, nada como muita conversa e a boa e velha parceria entre escola e família.

Há uma linha de pensamento que defende a ideia de que os gêmeos devem ficar juntos, por causa da alta afinidade e do relacionamento e laço afetivo que eles têm entre si. Esta quebra de laço, de instabilidade emocional poderia afetar a aprendizagem deles.

Para comprovar ou refutar estas considerações, pesquisadores holandeses de uma universidade de Amsterdã revelaram, que separar gêmeos na escola não interfere no aprendizado. 

Durante o estudo, eles acompanharam 2.003 pares de gêmeos nascidos entre 1986 e 1993 até eles completarem 12 anos. O grupo era formado por 839 gêmeos idênticos e 1.164 não idênticos. Até os 12 anos, 72% deles estudaram na mesma turma, 19% em turmas separadas e 9% estudaram juntos em algum momento da vida escolar. Ao completarem 12 anos, todos eles foram submetidos a um teste de nivelamento para medir conhecimentos, que incluíram, entre outras disciplinas, gramática e matemática. 

Na análise dos resultados, os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença substancial entre os três grupos de irmãos e, então, concluindo que separá-los durante a vida escolar não interfere no aprendizado.

Já na dimensão sócio afetiva há muitos ganhos na separação dos gêmeos. Eles precisam, como qualquer outra criança de estabelecer suas próprias relações, de construir sua identidade e de fazer o seu próprio ciclo de amigos. Enfrentar os desafios sozinho e se posicionar frente a eles é o primeiro passo para o desenvolvimento da autonomia do indivíduo.

Ainda há o aspecto da privacidade. Irmãos na mesma sala costuma monitorar o comportamento do outro, contar as situações em casa, muitas vezes causando desconfortos entre eles. E há também as comparações, as cobranças entre si, que podem gerar supremacia de um deles em relação ao outro.

Com certeza há muitos ganhos na separação dos gêmeos, porém a escola deve ficar atenta sempre. Alguns podem se angustiar com a separação. O importante é fazer uma parceria com a família, de forma que todos passem aos irmãos a ideia de que a decisão da separação trará ganhos e será divertido ter novos amigos para apresentar um ao outro. A segurança dos pais é fundamental para a aceitação e o sucesso da enturmação das crianças.


Filhos precisam crescer e devemos contribuir para que este processo se desenvolva da melhor forma possível. Estimular a construção da identidade individual ajudará os filhos a fortalecerem sua auto imagem e auto estima, que será fundamental para o seu sucesso futuro.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Lidando com as vaidades

Nos últimos tempos tem me chamado muito a atenção como a vaidade está crescendo entre as pessoas. 

Não me refiro somente à vaidade física, ao culto ao corpo e à busca pela eterna juventude e beleza. Esta também está exagerada, mas me incomoda menos do que outras facetas dela. 

Vaidade académica, profissional, espiritual...


Eu chamo este fenómeno de "egolatria", que é o culto a si mesmo.

Lidar com pessoas vaidosas requer muita paciência e atenção, porque a pessoa  vaidosa não consegue pensar de forma sistémica. 

Ela é capaz de abortar um projeto só porque o seu nome não vai aparecer ou ficar em evidência.
É desconfiada, sempre pensa que as pessoas estão conspirando contra ela. 
Boicota seu trabalho, suas ideias, porque seu objetivo é ser o centro das atenções. O ego dela é bem inflado e se ocupa de ocupar o espaço de todo mundo. 
Adora depreciar as coisas e opiniões das pessoas e o pior: necessita ter sempre razão. Se você ousa contestá-la, ela vai arrumar alguma coisa, algum artigo, algum documento ou vai se remeter à fala de alguém para refutar a posição alheia. 

Humildade não existe no dicionário do vaidoso. Ele sabe tudo, ele domina todos os conteúdos, ele é a solução. E nunca compartilha nada com ninguém. E ainda tem uma forte tendência a se apropriar da suas ideias como se fossem dele. Pessoas vaidosas costumam ser toxicas.

Liderar e conviver com este tipo de pessoa requer muita habilidade, paciência, sabedoria e amor, porque o vaidoso costuma ter qualidades e não podemos perdê-las. Mas, é necessário fazer um trabalho com eles, deixá-los sem holofotes em alguns momentos, porque luzes fazem com que ele s ganhem força e cresçam cada dia mais pra cima das pessoas.

O grande desafio na convivência com os vaidosos é não entrar em competição com eles. E evitar bajulá-los, como eles gostam. Tratar os vaidosos como uma pessoa comum é a melhor forma de ajudá-los. Marcar seu território, delimitando bem os papéis também é uma boa estratégia.

Ressalte suas qualidades, mas faça-o conscientizar-se de seus limites. 
Enfim, pessoas vaidosas nada mais são do que seres carentes e inseguros que querem receber reconhecimento e amor. Tarefa difícil, mas não impossivel.

E, se você conseguir “salvar” o vaidoso de sua condição de soberba, não vá se achar o máximo e se  envaidecer você também...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

É legal ser invisível?

Por Priscila Pereira Boy- Mestre em Educação, Pedagoga.

Ouvindo uma adolescente me contar o que mais a encantou na saga “ Harry Potter", minha imaginação começou a divagar. Ela me disse que gostaria muito de ter a tal capa dele, que o tornava invisível.

Fiquei imaginado a tal sensação. Poder presenciar coisas sem ser percebido. Poder transitar sem que ninguém perceba a sua presença...

Outra invisibilidade que me encanta é a das amizades que vão se constituindo no mundo virtual. Tenho seguidores aqui que não tenho a mínima idéia de quem seja. Mas gostam de mim e do meu trabalho. Sem contar os amigos das redes sociais.

Aspectos positivos da invisibilidade.
Mas, a invisibilidade tem lá seus aspectos negativos. Sentir-se invisível sem querer ser invisível. Ser desconsiderado. Não ter voz.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”.

Ele garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência”, explica o pesquisador. O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

“Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. As vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão”, diz.
 “Essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa”

 Desde então, minha vontade de ser invisível não existe mais. 

Você enxerga as pessoas no seu dia a dia? Pode ser alguém que trabalha no seu prédio, um frentista de posto, uma atendente de loja, um aluno na escola, um pai, mãe, servente.
Cumprimente. Valorize. Não faça das pessoas seres invisíveis

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O racismo existe ou é invenção?

Sinto-me especialmente incomodada com algumas situações que presencio. 

São amigas que se referem às suas empregadas como seres menores, são colegas acadêmicos que se referem a alunos ou a outras pessoas como menos capazes, são pessoas que comparam a situação socioeconômica das outras, julgando se teriam ou não condições de fazer alguma viagem, comprar em determinada loja, comer em algum restaurante e por aí vai.

Sem contar as referências aos negros, aos homossexuais, às loiras...

E não posso deixar de citar as pessoas com necessidades especiais. Com essas fazemos pior: como não é socialmente aceitável rejeitá-las, travestimo-nos de piedade e misericórdia e damos a elas um tratamento aparentemente inclusivo.

Eu não posso dizer que as pessoas que se portam dessa forma o fazem de maneira proposital. O fato é que, no cotidiano, usamos palavras ou expressões que, de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam em si o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado. Não se muda algo que simplesmente não existe.

A tolerância das diferenças resume um princípio de igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser sustentável. O preconceito velado é perigoso, porque, em pequenas doses, mantém os paradigmas inalterados e aumenta a distância entre os cidadãos. Revela a inabilidade das pessoas para ver algo novo e agir de forma diferente.

Eu me sinto mal com comentários que diminuem ou segregam o outro. Isso me conforta porque sinaliza que a chama da ética e do respeito ainda ardem em meu coração.
Como educadora e cristã, não posso perder a capacidade de me indignar, e é por isso mesmo que estou indignada com algo que vi na internet: um anúncio de emprego que nos lembra os tristes tempos da escravidão. É desanimador perceber como o racismo à brasileira é algo tão real e duradouro. Trata-se da foto de um cartaz, no qual estava escrito:

“Precisa-se de pessoa branca, profissional, boa aparência, com ferramentas, que saiba tudo de obras: bombeiro hidráulico, eletricista, pedreiro, ladrilheiro, servente que saiba emassar. Se você tem todos esses requisitos, é só entrar em contato direto com Russo, pelo telefone 7550-71XX. SÓ BRANCOS”.

Segundo o Jornal do Brasil a pessoa identificada apenas como “Russo”, ainda sem saber da repercussão do seu anúncio, esclareceu, para alguns que telefonaram para saber da vaga, que “se for um mulato bem clarinho, pode”. Quando questionado sobre a razão da negativa para negros, “Russo” justificava que era um pedido dos condomínios para os quais os trabalhadores seriam mandados.
É assustador que algum empresário nesse país tenha a coragem de expressar tal discriminação quando temos uma lei que prevê o racismo como crime inafiançável.

Qual o papel da escola?

A escola tem um papel fundamental na mudança de paradigmas e na construção da autoestima das pessoas. Entenda-se por autoestima o sentimento e a opinião que cada pessoa tem de si mesma. É na infância, no contato com o outro, que construímos ou não a nossa autoconfiança.

As experiências do racismo e da discriminação racial determinam significativamente a autoestima dos adultos negros. Então, o caminho para a construção de uma autoimagem positiva está calcado em uma sociedade mais justa e igualitária, no reconhecimento e nos valores de cada indivíduo como um ser essencial.

Um caminho para atenuar o preconceito e, com o tempo, exterminar, é trabalhar nas escolas a Lei nº 10.639, na qual somos orientados a incluir as temáticas da Cultura Afro-brasileira nos currículos nacionais de educação. Não se ama aquilo que não se conhece. O currículo escolar deve considerar a identidade dos afrodescendentes, considerar a imensa influência que a cultura africana sempre exerceu sobre o modo de ser do povo brasileiro e de todo o mundo.

Na sua sala de aula, explore a influência dos artistas negros nas artes, na música, na literatura. Faça exposições, problematize reflexões.
Você se emocionará e se surpreenderá com tudo que vai descobrir e ainda constatar que o saber não tem cor e a alma também não

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A culpa não é minha

Assistindo a TV ontem, deparei-me com a notícia de que os donos da boate KISS, no Rio Grande do Sul, serão julgados. Pra quem não se lembra, a boate pegou fogo e matou muitos jovens que não conseguiram sair do recinto. Uns morreram asfixiados, outros queimados. Por causa da comoção nacional, todo mundo clama por justiça.

Esta avidez na busca por culpados acabou me fazendo refletir: somos assim mesmo. Temos sempre a tendência de expiar as culpas em alguém:
os bombeiros são os culpados, não, são os músicos da banda, não, são os donos da casa noturna, não, são os jovens que não tinham que estar lá, não, são os pais que não deviam tê-los deixado ir, não, é a prefeitura que não investe em leis mais severas e não fez a fiscalização.

E as mortes posteriores dos sobreviventes são culpa da falta de estrutura da saúde, do governo, etc....
Não pensem que estou defendendo a impunidade. Penso que deve haver apuração, punição severa e aprendizado, para evitar tragédias futuras.
Eu apenas me lembro de várias situações cotidianas nas quais preferimos debitar na conta do outro as nossas próprias responsabilidades:

O casamento não vai bem porque meu marido é muito difícil.
Minha esposa reclama de tudo, por isso não vivemos bem.
Meu filho está naquela fase rebelde, por isso o clima lá em casa é de tanta desarmonia.
Minha mãe não larga do meu pé, não aguento mais as cobranças, por isso eu a trato com tanta agressividade.
Meus alunos são terríveis, por isso não dou boas aulas.
Meus amigos não me ligam, não me dão valor, por isso eu sou tão triste assim.
São tantos os culpados pelas nossas insatisfações e ações, que a lista chega a não ter fim.

E agora que você leu isto, você ficou preocupado se por acaso está transferindo suas culpas a alguém que não seja você mesmo.


E a culpa disto é minha. Quem mandou eu escrever este artigo?