Como educadores, lancemos boas sementes...

.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A "arte" de educar as crianças

Compartilho com vocês o artigo da minha coluna deste mês.

A “arte” de educar as crianças
Por Priscila Pereira Boy- Pedagoga- Mestre em Ciência da Educação

O mês de outubro é marcado por duas datas especiais: o dia das crianças e o dia do professor. Estes dois homenageados tem uma relação muito direta. O educador não existe sem o educando e vice versa. Há entre eles uma relação de aprendizado mutuo, crescimento e afetividade.

Eu venho de uma família de educadores e sempre fui educadora. Sempre me encantou o universo da escola, onde a gente faz amigos, aprende coisas novas, em um ambiente de trocas e partilhas.

Educar é um privilégio único. Eu me sinto especial por ser educadora.
Educar é deixar marcas é desenvolver afetos e ampliar saberes.
Educar é uma ARTE.

Nos dias atuais, a palavra arte entrou em discussão. Algumas exposições em museus trouxeram à tona o debate sobre o que é arte e o que é extrapolação da liberdade de expressão. Ainda entrou no debate o sentido de algumas manifestações desta liberdade de expressão, se elas realmente tem esta intenção de manifesto, partilha de emoções e formas de ver o mundo ou se as obras escondem por trás, objetivos sórdidos, como a erotização precoce, a pedofilia e zoofilia. Enfim, as perversões sexuais.

Como moro em Belo Horizonte, vou me limitar a comentar a exposição feita na minha cidade, no Teatro do palácio da Artes, intitulada:
“ Faça você mesmo sua capela Sistina”, de Pedro Moraleida. Na exposição ele viola alguns símbolos sagrados cristãos através de cenas de pornografia e zoofilia.

O referido artista se suicidou aos 22 anos de idade e relata-se que tinha envolvimento com drogas e alguns de seus escritos que coletei na internet retratam a confusão mental do artista e a baixa estima que o assolava.

Eu fiquei pensando se as obras dele não seriam retratações dos abusos sofridos, das experiências vividas na infância e procurei olhar para elas não como afronta, mas como denúncia. Pedido de socorro talvez.

E aí foi que me dei conta de que educar as crianças preservar sua integridade, inocência e direito a infância é meu papel como educadora. É obrigação e privilégio.

Se você é educador, saiba, que em algum lugar tem uma criança que conta com você e que, se exposta precocemente a alguns estímulos ou investidas, poderá vomitar esta violência de alguma forma no futuro. Talvez até em forma de arte.



terça-feira, 13 de junho de 2017

O Brasil tem cura?


O Brasil tem cura?

Por Priscila Pereira Boy

Compartilho com vocês o artigo da minha coluna deste mês no Jornal Ana Lúcia.

O maior desafio que se colocou diante de mim este mês para escrever meu artigo, não foi a falta de tempo ou ideias. Foi que título escolher. Falo isto porque tenho me sentido muito incomodada com as notícias sobre o meu país. 

À cada revelação, a sensação que tenho é que não sobrou ninguém. Todo mundo está envolvido e, baseado em tudo o que vejo, tenho certeza de que as coisas são bem mais podres e profundas do que parecem, ou de como são apresentadas. 

Primeiro pensei em colocar : “ Será que o Brasil tem jeito?”, mas a palavra jeito me remeteu ao jeitinho asqueroso com que tudo foi arquitetado por aqui. Empréstimos fraudulentos, compras falsas, superfaturadas, laranjas, empresas fantasmas, as esposas envolvidas. Meu Deus! Pra tudo se dá um jeito. Então refutei o nome de cara.

Depois pensei: “ Será que o Brasil tem solução?”, mas, como sou pedagoga, me lembrei que solução vem de situação problema. Algo a ser resolvido, plausível, desafiador, que mexe com nosso raciocínio e inteligência. Então percebi que o que o Brasil precisa não é de uma solução. É algo mais que isso.

Então me veio a palavra “cura”. Imediatamente encontrei ressonância com o que quero dizer. 
O Brasil precisa de cura, porque o país está muito donte. 
Convém deixar claro, porém, que o tratamento é longo, delicado e cheio de efeitos colaterais. O paciente encontra-se na UTI e requer cuidados especiais. 

A primeira coisa que nos leva a cura é um diagnóstico preciso. Identificar as causas dos males, para que o tratamento seja efetivo. O problema é que as vezes, a causa vem mascarada. Muitas vezes o problema é a glicose alta, mas as pessoas acham que é o grau da vista que aumentou. E assim, até descobrirmos o que realmente está por traz dos males, talvez seja tarde demais.
Ir a fundo, prosseguir na investigação, pois, uma boa receita médica depende de um diagnóstico correto. 

Não faltam diagnósticos para avaliação, o que vale dizer que não faltam análises conjunturais e estruturais. Tanto na mídia quanto nas redes sociais, ou na imprensa alternativa, multiplicam-se os debates sobre a atual situação socioeconômica e política brasileira.

Com o diagnóstico em mãos, surge a pergunta: quais os remédios a serem aplicados?
Diante de tamanha infecção,alguns antibióticos são absolutamente urgentes. O primeiro refere-se à defesa de canais, instrumentos e mecanismos para a participação popular. Sem a voz das ruas, campos e praças, nenhum governo dito democrático pode legitimar-se. Se o cidadão não luta, não denuncia, não deixa de votar nas mesmas pessoas, as coisas continuam na mesma.

Vem em seguida a necessidade de um antibiótico que elimine a cumplicidade corrupta e perversa entre os três poderes. Os últimos escândalos mostram que “mãos invisíveis” movem os fios de um estranho e obscuro jogo de marionetes na complexa relação entre executivo, legislativo e judiciário. Claro, entre eles devem existir saudáveis diálogos e comunicações.

Mas o que vem à tona é uma compra e venda de interesses, privilégios, influência – onde o interesse econômico pessoal prevalece.
Nem precisaria falar, em terceiro lugar, do antibiótico relacionado ao desafio da ética no exercício da política, se realmente quisermos trabalhar pela justiça, a solidariedade e a paz.

Mais do que nunca precisamos erguer a bandeira da esperança e da utopia. E retomar o verdadeiro sentido da palavra Cidadania. 

Esse é o único remédio que pode salvar o país da corrupção, da inércia, da apatia.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Lançamento da segunda edição do livro: "Afinal, quem manda esta casa?"

Muito feliz com o lançamento da segunda edição do livro:
Afinal, quem manda nesta casa?

No livro falo sobre os desafios de educar os filhos nos dias atuais. Foi uma noite maravilhosa, em São paulo, onde dei uma palestra aos pais e depois fizemos uma seção de autógrafos.

Muito agradecida a Deus pela oportunidade de ajudar as famílias na educação dos filhos.







Confira o link com a reportagem:
http://www.batistabrasileiro.com/site/palestra-de-priscila-boy-e-sucesso-de-critica-e-publico/ 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ser, ter ou parecer? A sociedade do espetáculo

Por Priscila Pereira Boy*

Vivemos um momento de exposição constante. O privado cede lugar ao público, ao explícito. Rompem-se as fronteiras do segredo, da intimidade, do secreto. Estamos num tempo complexo, mesclado de espetáculos naturais e artificiais, influências de todas as partes, e imersos num mundo de culturas híbridas, que pode ser definido como um rompimento entre as barreiras que separa o que é tradicional e o que é moderno.

Com a globalização, predominantemente capitalista, recheada de estratégias de marketing, há um desdobramento de definições sociais onde o ser perde espaço para ter.
Importante é consumir e este consumo acaba se transformando em uma grande armadilha, um buraco sem fundo. 

Antes os produtos eram criados para suprir as necessidades das pessoas. Agora, estes são criados para gerar novas necessidades. Nunca se está satisfeito. Sempre há um algo a consumir, um “plus” a mais, um complemento. As pessoas consomem, mas estão sempre insatisfeitas, infelizes e incompletas com suas aquisições.
Segundo Alfredo J. ai se revela claramente a sociedade das armadilhas. Estas se escondem e dissimulam, uma em cada curva e em cada passo do caminho, uma em cada novo lançamento mercadológico. De vários modos manifestam sua fumaça ilusória e passageira: na fórmula mágica dos produtos que prometem eliminar a queda de cabelo, a gordura acumulada ou os efeitos do tempo, prometendo como aditivo um rejuvenescimento contínuo; nos dispositivos cada vez mais sofisticados e inovadores dos aparelhos eletrônicos, que os tornam obsoletos já no ato mesmo de serem adquiridos e tantas outras coisas...

E por falar em tecnologia, a chegada dela nos coloca diante de outra situação: o ter perde espaço para o parecer

O mundo virtual nos traz novos paradigmas:  o indivíduo passa a ser e a viver uma vida sonhada e idealizada, na qual a ficção mistura-se à realidade, e vice-versa. Já não sabemos mais quem somos: seres reais ou idealizados, “avatares”, atrás dos quais nos escondemos para navegar no mundo virtual. Podemos ser quem quisermos, agir de forma encantadora, sermos os seres mais felizes do mundo. 
Essa constante exposição virtual, transmite uma sensação de permanente aventura, felicidade, grandiosidade e ousadia. Mas, no fundo, gera uma grande frustração. Acabamos por perder nossa identidade. Já não sabemos mais se somos o que postamos, se somos o que vivemos ou o que gostaríamos de ser.

A excessiva exposição nos leva a não conviver com a realidade. O importante é produzir imagens e dá-lhe postagens.
Estamos no velório? Tiramos uma selfie e postamos nossas condolências, ao invés do abraço apertado e presencial.
Estamos em uma festa? Outra selfie para mostrar a nossa felicidade, ao invés de aproveitar os amigos, curtir, dançar um pouco, comer bastante e sorrir.
Estamos no show? Perdemos o espetáculo ao vivo, pois o vemos pela lente do celular, com inúmeras fotos e filmagens que fazemos, porque temos que mostrar aos amigos que estávamos lá. Pra depois, claro, postar.

Mas, nada se compara ao tal do “Zap, zap” ( Whatsapp)! Ele nos consome toda a atenção e tempo. Um monte de vídeo que a gente recebe, cada um mais sem pé nem cabeça que o outro. Se você entra em um grupo de educação, daí há pouco o povo já está trocando receitas e falando o que a gente faz para emagrecer mais rápido.
Entra em grupo da igreja e o povo xinga, fala palavrão, manda foto sensual.
Uma mistura que no fim a gente acha até graça! É muita vontade de aparecer! 

É A sociedade do espetáculo, como descreveu muito bem o francês Guy Debort, que em seu livro, nos alerta que “tudo o que é bonito aparece, tudo que aparece é bonito”.  Quando tudo se torna espetáculo, tudo pode igualmente converter-se em escombros e ruínas. Acabamos por nos desumanizarmos, transformarmos as pessoas em meros objetos de prazer. E o pior que nos acontece é que não sabemos mais quem somos nós. 
O que importa é parecer e não ser.

Talvez o maior desafio da sociedade contemporânea, global, pluralizada e informatizada seja este: tornar reais e solidárias as relações virtuais, fazer descer das nuvens à terra o mundo cibernético, tornar próximos os laços à distância. E como sinaliza o sociólogo polaco Zigmund Bauman, não fazer das relações "amores líquidos e fluídos" e nem das redes sociais armadilhas.

E aqui entramos no campo da ética e das opções pessoais. O desafio – e não é pequeno – reside no ato de superar o egocentrismo da sociedade atual, por uma rede de relações verdadeiras. 
O desafio é fazer a vida real tão bela quanto a vida virtual.

Pedagoga- Mestre em Educação- Escritora e apresentadora do canal no youtube" Familias conectadas com Priscila Boy"