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sábado, 17 de maio de 2014

Somos todos macacos?

Compartilho com vocês artigo da minha coluna do jornal neste mês.

Por Priscila Pereira Boy- Pedagoga- Mestre em Educação

A polêmica em torno do episódio acontecido com o jogador de futebol Daniel Alves, que atualmente joga no Barcelona, me inspirou a escrever este artigo. Fiquei um pouco estarrecida com a repercussão e desdobramentos que giraram em torno do acontecido. Pra quem não acompanhou, segue uma sinopse.

Durante a partida do Campeonato Espanhol, um torcedor atirou uma banana no gramado próximo ao jogador, que se preparava para efetuar a cobrança de um escanteio. A reação dele foi imediata. Descascou a banana e comeu-a. Sua resposta desmontou completamente a agressão. Admiro pessoas que têm a presença de espírito e a frieza  para reagir de bate-pronto ao que é feito com a intenção de enfurecê-las. Daniel Alves conseguiu humilhar o agressor.
Todo mundo caracterizou o ato como sendo de cunho racista e muita gente ficou revoltada.

A campanha contra o racismo começou logo depois do jogo, quando Neymar, também, jogador de futebol, publicou na internet uma foto ao lado de seu filho, com uma banana. E embaixo dela a hashtag: #somostodosmacacos.
Uma hashtag é mais do que um rótulo de uma foto. É um comando. É um movimento que quer começar. #somostodosmacacos se espalhou. No boca a boca. Como um vírus. Viralizou. Em poucas horas, milhares de pessoas tinham sido contaminadas, inclusive muitos artistas brasileiro de projeção nacional. O apresentador de TV Luciano Huck, que também é dono de uma grife de roupas, resolveu lançar uma camisa com uma banana estampada e vendê-la no site por R$69,00. E ainda, as modelos que vestiam a camisa eram todas brancas!

Formou-se a celeuma: artistas estão engajados nas causas antirracistas ou estão atrás de publicidade? Seriam eles defensores de causas nobres ou oportunistas?

Sou a favor da liberdade de expressão de todas as pessoas, incluindo aquelas de quem discordo, aquelas a quem considero “idiotas” e aquelas que só querem aparecer. Estas últimas são as que menos me afetam, porque não contribuo em nada para a popularidade delas.
Mas não acabou por aí não. Se o Twiter é uma rede social viral, há uma outra que não perde em popularidade. É o facebook. Vem um colunista de uma revista famosa e posta na sua timeline a seguinte frase:

“Se somos todos macacos, porque somente alguns macacos tem cotas?” O facebook removeu a postagem dele, alegando que a mesma era de cunho racista.

Eu estou com o facebook. Primeiro, chamar seres humanos de macacos tem um cunho totalmente pejorativo. Eu, como sou de linha criacionista e não Darwinista, penso que #somostodoshumanos  seria uma campanha bem melhor. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Refletimos a sua glória e fomos criados de forma diferenciada. Todo ser humano deve ser visto com um ser único e especial.
Uma ofensa racista dirigida contra Daniel Alves me afeta como se fosse dirigida contra mim. A tonalidade da pele não difere geneticamente os seres humanos. Não há duas raças humanas, mas uma só.

O preconceito é algo avassalador. Cega, fere, não pensa, não vê o outro. Faz as pessoas se sentirem menores, pequenas, desprovidas de qualidades ou algo de bom que possam oferecer ao mundo. Não pensem que só porque os jogadores ganham rios de dinheiro eles são completos e felizes e não se incomodam com atitudes como estas. Eles conquistaram a carreira, a fama, mas não sobrevivem sem o respeito. Isto o dinheiro não compra.

O racismo é um fenômeno psicossocial, emocional ou passional, sem qualquer elaboração ou justificação. Um ódio desferido a um grupo, as vezes com motivações (equivocadas), as vezes sem motivação nenhuma.

Já passou da hora de revermos nossas posturas e atitudes para com os outros. Lembremo-nos do nazismo na Alemanha que massacrou os judeus, do Apharteid na Àfrica, que causou danos a milhares de pessoas e principalmente a um homem chamado Mandela, da Ku Klux klan nos EUA, uma sociedade racista secreta que perseguia os negros e tentava impedir a abolição da escravatura e de muitas outras organizações que promovem a segregação e acreditam na superioridade de certos grupos.

Segundo a lei, o racismo é crime. Segundo o Gabriel, o pensador, é burrice.

Não. Não somos todos macacos. Somos todos imagem de Deus.

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