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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Trocar ou não o celular?


Por Priscila Pereira Boy- Pedagoga- Mestre em Educação

Estou pensando em trocar o meu aparelho de celular. E comecei a pesquisar a melhor opção. Entrei em crise, fiquei insegura. Não sei escolher o melhor para mim. Cada um diz uma coisa, fala sobre a vantagem de tal marca, fala das funções que perderei se não comprar este ou aquele aparelho. Fiquei louquinha e decidi: fico com o meu mesmo, pelo menos por algum tempo. Assim minha alma se aquieta e penso com calma.

Fazer escolhas gera em nós um dilema angustiante. Isto porque toda escolha traz consequências. Algumas podem ser desastrosas para nossa vida.
Sou do tempo em que, para escolher a cor de uma parede, a gente decidia entre o branco, o gelo, o areia e o palha. E já ficava meio na dúvida. Hoje, qualquer decisão passa por um número industrial de alternativas. 

Aí entramos em outro quesito, que nos dias atuais assumiu outra proporção: o da pesquisa. Pesquisa de preço, de modelo, de lugar, de hotel, de trajeto, de música, de… tudo. 
Até o certo e o errado podem ser pesquisados ao toque de um botão: Mr. Google resolve tudo. Ele virou nossa ética, diz o que devemos e o que não devemos fazer. Só não resolve aquilo tudo que deixamos de usar para pesquisar, como fazíamos antes. Em primeiro lugar, os neurônios, que agora só precisam lembrar dessa ferramenta que está fora de nosso cérebro e vai resolver o problema. Saber clicar e encontrar a resposta, sem que nosso raciocínio esteja envolvido. 

Usando GPS e Wazes, chegamos mais rápido, isso é certo, não nos perdemos, que bom, mas nosso senso de orientação vai ficando cada vez mais preguiçoso e nós cada vez mais tontos. Imaginem vocês que esta semana me esqueci que estava com o carro do meu pai e tinha que dar uma palestra a noite em um lugar que não conhecia. Nem pesquisei onde era, pois confio no meu guia máster: o GPS. Só que meu pai não tem a ferramenta mágica. Conclusão: me perdi, quase perco a hora!

Há uns 5 anos atrás, para decidir qual televisão comprar, batíamos pernas de loja em loja, passávamos horas pendurados no telefone negociando condições de pagamento e qualidade da peça. 
Hoje? A internet oferece o produto, dá o preço e faz a entrega. E nós não saímos da cadeira, não exercitamos nem corpo nem dialética, cada vez mais bobos e felizes, pensando: “que bom, economizei tempo, dinheiro e preocupações”. 

Pois eu acho isto tudo bastante preocupante. Você não? Não estamos falando de crianças que vivem na frente de computadores e joguinhos, que nunca vão pisar numa grama ou subir numa árvore ou saber de onde saem os ovos. Eles são frutos de uma nova era, a realidade delas é essa.  São nativos digitais.
Estou falando de nós, adultos, com livre escolha para ver o que estamos deixando de vivenciar, o quanto estamos deixando de pensar, achando que temos mais agilidade de ação e mais tempo para… continuar na frente do computador. 

Escolher não é fácil. Exige reflexão, exige prospecção, exige ousadia. E resolvi que entre todas as escolhas que posso fazer nos dias de hoje, eu escolho pensar. E resolvi: por agora, não vou trocar de celular!

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